Publicações pré-Mythos – Parte dois

Na primeira parte da série Publicações pré-Mythos o foco foi dado ao material da extinta Editora Ebal, que lançou dez revistas chamadas Capitão Z Apresenta: Ano 2000 no ano de 1979, e que eram basicamente as dez primeiras edições da 2000 AD original, de 1977, com algumas capas alteradas. Desta vez, o foco será a Editora Abril, que publicou os crossovers do Juiz Dredd com personagens da DC Comics.

Fundada em 1950 e funcionando até hoje, a Editora Abril foi responsável por publicar revistas em quadrinhos dos super-heróis da Marvel e DC (entre outros) antes da Panini assumir o cargo. Sua sede é na cidade de São Paulo, e hoje a mesma publica diversas revistas, como por exemplo a Veja, Mundo Estranho e Superinteressante, além dos quadrinhos Disney, e a revista Recreio.

Um breve resumo sobre a criação da Editora Abril: Em 1936, o italkim Cesar Civita (nascido em Milão no ano de 1905, e faleceu no ano de 2005) trabalhou na Arnoldo Mondadori Editore da Itália, editora que publicava histórias em quadrinhos da Disney, como gerente geral. Com o avanço do fascismo, Civita resolve se mudar com a esposa e os três filhos para Nova York em 1938. Em seguida, no ano de 1941, foi para Buenos Aires, onde fundou a Editorial Abril. Seu irmão, Victor Civita, imigrou para o Brasil, onde começou a estabilizar a Editora Abril em São Paulo, no ano de 1949.

Dando um salto temporal para comentar a parte que interessa nesta publicação: em dezembro de 1992 a Editora Abril lançou uma mini-série quinzenal em duas edições que foi responsável por apresentar o Juiz Dredd – e, quem sabe, a 2000 AD – para uma grande parcela dos leitores de quadrinhos brasileiros. A revista se chamava Batman & Juiz Dredd – Julgamento em Gotham. Roteirizado pelo criador do personagem, John Wagner, e seu longo parceiro de trabalho, Alan Grant, este encontro (com a arte do sensacional Simon Bisley) narra uma perseguição do Juiz Dredd e do Batman (após uma porradaria entre os dois, obviamente) contra Juiz Morte e o Mean Machine (Anjo Máquina Malvada) que foram parar em Gotham utilizando um aparelho de teletransporte dimensional e acabaram se aliando ao Espantalho.

Capas dos volumes 1 e 2, respectivamente, lançados pela Editora Abril. Créditos ao Guia dos Quadrinhos pelas imagens.

Este primeiro crossover não deixa muito claro se os personagens voltarão a se encontrar, como acontece futuramente, e vale lembrar que todos os crossovers serão comentados futura e detalhadamente no 2000 AD Brasil em forma de reviews.

No ano de 1995, mais especificamente em junho, o segundo crossover foi lançado pela Abril. Batman & Juiz Dredd – Vingança em Gotham, roteirizado por John Wagner e Alan Grant, com arte de Cam Kennedy, segue os eventos que aconteceram em Julgamento em Gotham cronologicamente, sendo este o segundo encontro entre os personagens.

A parceria entre Wagner e Grant não era somente nos crossovers. Entre 1980 e 1988, os dois escreviam publicações da 2000 AD, sendo o John Wagner creditado por Juiz Dredd, e Alan Grant por Robo-Hunter, Strontium Dog e a Juíza Anderson. Após o fim da parceria, Wagner continuou com o Dredd, e Grant com os direitos de Strontium Dog e o spin-off de Dredd, as historias da Juíza Anderson. Ambos também trabalhavam juntos nas histórias do Batman e do Lobo, e uma curiosidade é que o vilão Ventríloquo, do Batman, originalmente seria um vilão do Juiz Dredd.

Neste segundo crossover, o Juiz Dredd vai para Gotham com o objetivo de atrasar o Batman de algo. E a melhor forma de fazer isso é atrapalhando o mesmo na base da ‘porrada’. Publicado em somente uma revista, neste encontro Dredd revela que os Juízes da divisão Psi previram que o Batman será uma peça-chave para salvar Mega-City Um de uma catástrofe no futuro, iniciando assim uma espécie de cronologia destes crossovers.

A capa ilustra bem o que acontece o tempo todo no interior da revista: lutas entre o Juiz e o Homem-Morcego.

Dois anos após Vingança em Gotham, a Abril publicou Lobo/Juiz Dredd – Motoqueiros Doidos vs Mutantes do Inferno, em que o Lobo vai visitar Mega-City Um, e o Juiz Dredd tenta prendê-lo. Porém, os dois acabam se unindo para enfrentar uma ameaça universal. Com um roteiro simples de John Wagner e Alan Grant, este encontro é mais focado no non-sense e comédia, além de ser um encontro entre dois personagens badass. A arte fica por conta de Val Semeiks.

Por fim, no ano de 1998, a Editora Abril publicou Batman & Juiz Dredd – A Charada Definitiva, com roteiro de Alan Grant e John Wagner e arte de Carl Critchlow e Dermot Power.

Dois encontros que foram feitos somente para diversão e entretenimento.

Este encontro é atemporal em relação aos outros com o Batman, não fazendo parte da cronologia estabelecida. Dredd e o Batman já se conhecem, e isso fica bem claro quando os dois são teletransportados para uma dimensão cheia de outros personagens durões, de outros planetas ou dimensões, onde devem se matar para conseguir sair desta prisão.

Este crossover foi o último publicado pela Abril, que nunca encerrou a série de encontros com o Batman (que acaba em Morra Sorrindo, publicado em 2002 pela Mythos). A editora estabeleceu a cronologia que veio a se encerrar com outra editora, mas foi responsável por apresentar o personagem Juiz Dredd para uma legião de leitores de quadrinhos, que também vieram a conhecer o mesmo com o filme do Stallone, de 1995.

Na próxima edição: Pandora!

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5 pensamentos sobre “Publicações pré-Mythos – Parte dois

  1. Assim como muitos brasileiros, conheci o Juiz Dredd através do crossover Batman & Juiz Dredd – Julgamento em Gotham. Aliás, tenho preferência por esses personagens sem super poderes, como Justiceiro, Juiz Dredd, Batman etc. Tenho aqui alguns desses crossovers, como o do Lobo. Outra coisa que chamou muito a atenção foi a arte de Simon Bisley! Aquelas cores e texturas eram algo único.

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