[Review] Os Punhos de Stan Lee

Lançado no Brasil em outubro de 2003 pela Pandora Books, Juiz Dredd – Os Punhos de Stan Lee é uma compilação de 13 histórias de 6/7 páginas cada, totalizando 100 páginas em preto e branco com lombada quadrada, reunindo progs da 2000 AD da década de 70 e 80. [COM SPOILERS]

A editora Pandora foi a responsável por publicar uma boa quantidade de histórias da 2000 AD no Brasil no início dos anos 2000. Sláine, Dredd, Zenith, A Balada de Halo Jones, Skizz e D.R & Quinch compõe o catálogo da extinta editora, que publicou com uma frequência interessante e acessível todo este material.

Capa do encadernado lançado pela Pandora. Créditos ao Guia dos Quadrinhos pela imagem.

Entre as publicações do Juiz Dredd está o encadernado de 100 páginas Os Punhos de Stan Lee. Com roteiros de John Wagner e Alan Grant e arte de Barry Kitson e Ron Smith, este material está entre os candidatos de melhores publicações do Bom Juiz em terras tupiniquins.

Confira abaixo o review de cada uma das histórias compiladas no encadernado:

Para situar o leitor, a Pandora utilizou uma forma que funciona muito bem para resumir os principais acontecimentos da cronologia do Juiz Dredd: inserir um trecho da música I Am the Law, da banda Anthrax nas primeiras páginas, antes de tudo. Com isso, quem começa a ler entende o que aconteceu até aquele momento, visto que alguns pontos são citados em uma ou outra história.

Os Punhos de Stan Lee (The Fists of Stan Lee)
Roteiro: John Wagner
Arte: Barry Kitson
Publicada na edição 484 da 2000 AD.
A história que dá o nome à revista se desenrola em 8 páginas, e apresenta o personagem Stan Lee de uma forma muito convincente: espancando o Juiz Dredd. Após apanhar muito do Punho da Morte (alcunha do lutador de artes marciais), Dredd jura vingança no final. A arte de Barry Kitson está ótima, e os elogios relacionados a qualidade artística de todas as histórias compiladas serão sempre os mesmos: ótimos.
Nota: 10

A Liga dos Balofos (The League of Fatties e The League of Fatties – Part 2)
Roteiro: John Wagner
Arte: Ron Smith
Publicada nas edições 273 e 274 da 2000 AD.
Antes de dar início aos comentários sobre a história propriamente dita, devo dizer que os desenhos de Ron Smith (que estão presentes na maior parte da revista) dispensam elogios. São simplesmente perfeitos e se encaixam bem como uma luva em qualquer história do Juiz Dredd.
O roteiro é interessante, mostrando o racionamento de comida após a Guerra do Apocalipse (Apocalypse War no original), fazendo com que as pessoas obesas se juntem para roubar comida, criando a Liga dos Balofos, que ataca os carros de transporte de suprimentos para satisfazer sua gula. Cheia de momentos cômicos, este mini-arco em duas edições de 6 páginas cada só tem uma pequena falha, que é se tornar um pouco arrastado e bobo em alguns momentos, mas nada que venha a comprometer o nível total.
Nota: 9,0

Vida no Bloco 1 e 2 (City Block 1 e City Block 2)
Roteiro: John Wagner
Arte: Ron Smith
Publicadas nas edições 117 e 118 da 2000 AD.
A primeira história da Vida no Bloco está entre os candidatos à melhor história do encadernado. Nela, o Juiz Dredd inicia uma perseguição contra um transeunte qualquer, que começa a fugir. Ambas as situações, de perseguição e de fuga, ficam sem uma explicação até o final, e quando a mesma chega, é algo muito simples e engraçado, que gera até uma pena sobre o coitado que cometeu diversos atos criminosos para fugir do Juiz sem ter um motivo.
Nota: 10
Já a segunda história serve como uma crítica ao processo de substituição dos seres humanos por robôs e máquinas no mercado de trabalho, algo muito comum nas histórias do Juiz Dredd. Arnold é um trabalhador (zelador) que foi substituído por um robô, e o mesmo entra em um processo de loucura, já que está entediado por não ter um trabalho, que era tudo em sua vida triste. O final da edição provoca risadas mas também é um pouco triste, já que Arnold agradece por ser condenado aos trabalhos forçados.
Nota: 10

O Homem Invisível – Parte 1 e 2 (The Invisible Man e The Invisible Man Part 2)
Roteiro: John Wagner (parte 1) e Alan Grant (parte 2)
Arte: Ron Smith
Publicada nas edições 134 e 135 da 2000 AD.
Com um roteiro muito convincente, O Homem Invisível te faz acreditar em apenas 12 páginas que as cartas entregues ao Juiz Dredd e os roubos que vão acontecendo com o desenrolar da trama são realmente feitos(as) por uma pessoa invisível. A solução apresentada no final, que resolve todo o mistério em torno da invisibilidade é algo extremamente bem pensado, ao mesmo tempo que é muito simples, assim como todas as soluções para mistérios nas histórias do Dredd. Durando duas edições, tudo é muito interessante e dinâmico, sem perder a graça em momento algum.
Nota: 10

Violência nas Estradas (Mega-Way Madness)
Roteiro: Alan Grant
Arte: Ron Smith
Publicada na edição 189 da 2000 AD.
Quando um carro inteligente e com tendências violentas assume o controle de uma estação móvel de serviços (Mama), o Juiz Dredd é convocado para impedir que uma destruição maior seja causada. Apesar do desenrolar da história ser um pouco fraco, o conceito é interessante. A arte de Ron Smith só peca um pouco nesta história, talvez pelo formato pequeno do encadernado da Pandora, se tornando um pouco confusa em alguns quadros durante as 6 páginas.
Nota: 8,0

Quem matou Feio Pacas? (Who Killed Pug Ugly?)
Roteiro: John Wagner
Arte: Ron Smith
Publicada na edição 203 da 2000 AD.
Provavelmente a pior história deste encadernado, “Quem matou Feio Pacas?” é bizarro e um pouco besta até para os padrões do Juiz Dredd. A arte de Ron Smith está fenomenal como sempre, porém o roteiro não colabora muito para que tudo se torne interessante. Não é ruim, nem abaixo da média, mas é a mais fraca deste encadernado. Possui 6 páginas.
Nota: 7,0

Unamerican Graffiti (Unamerican Graffiti e Unamerican Graffiti – Part 2)
Roteiro: John Wagner
Arte: Ron Smith
Publicada nas edições 206 e 207 da 2000 AD.
Unamerican Graffiti é a melhor história deste encadernado. Melhor até que a história que dá o nome ao mesmo, esta apresenta o personagem Marlon Shakespeare (o Chopper) e mostra como funciona o sistema de graffitis em Mega-City Um, além de justificar as motivações do personagem para tais atitudes e fixar o mesmo como o maior grafiteiro da Mega Cidade. O roteiro te envolve, ao mesmo tempo que estabelece uma competição entre o Chopper e o Fantasma (um robô, como é mostrado no final). Quando a história termina, você acha que não poderá mais ser surpreendido, e a pichação de Marlon é revelada no distintivo da estátua do Juiz. O Chopper se tornou um personagem recorrente nas histórias do Juiz Dredd, e esta primeira, dividida em duas partes de 7 e 8 páginas respectivamente, mostra muito bem o motivo da fama do personagem.
Nota: 10

A Volta de Stan Lee (Return of Death Fist e Return of Death Fist – Part 2)
Roteiro: John Wagner, Alan Grant
Arte: Barry Kitson
Publicada nas edições 540 e 541 da 2000 AD.
Dez anos após a apresentação do personagem Stan Lee e o juramento de vingança do Juiz Dredd, o Punho da Morte retorna à Mega-City Um, e com uma série de mortes que ele desencadeia, Dredd logo percebe que ele está de volta e inicia uma busca contra o mesmo. A primeira parte narra toda a busca dos Juízes, e a segunda é o embate épico de porradaria entre os dois personagens. Dredd derrota Stan Lee, como jurou que faria no final de “Os Punhos de Stan Lee”, e o leva preso. A arte de Barry Kitson mudou um pouco se comparadas as duas histórias, e mudou pra melhor, e o arco se encerra com um final digno do mesmo.
Nota: 10

Dado o veredito sobre todas as histórias compiladas neste encadernado, é hora de falar sobre o mesmo. O formato é pequeno (16 x 23 cm), e possui 100 páginas, todas em preto e branco. O preço de capa definido pela Pandora é alto, levando em conta o material e o formato da revista, e não a qualidade interna (R$ 22,00). A qualidade das histórias é excelente, e se você deseja ler algumas das melhores publicações do Juiz Dredd que saíram no Brasil, este encadernado de 2003 é uma boa pedida.

Nota final: 9,0/10

Leia o review de Judge Dredd: Dredd vs Death clicando aqui!

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11 pensamentos sobre “[Review] Os Punhos de Stan Lee

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