[Review] O Juiz (1995)

O Juiz” é a primeira adaptação do Juiz Dredd para os cinemas, lançada em 1995. Com Sylvester Stallone no papel principal, e dirigido por Danny Cannon, este filme mostra uma versão não tão fiel do personagem, mas visualmente, é impecável se comparado aos quadrinhos. [CONTÉM SPOILERS]

Lançado nos Estados Unidos em 30 de junho de 1995 (e em 29 de setembro no Brasil), Judge Dredd é um filme controverso. Enquanto algumas pessoas detestam – principalmente a maior parte de fãs do personagem – outras acham que, mesmo sendo fraco, ele tem seus méritos.

Segue abaixo a sinopse, que também serve como um resumo para os acontecimentos posteriores cronologicamente, e é narrada logo no início do filme:

“No terceiro milênio, o mundo mudou. O clima, as nações, tudo entrou em revolta, e o planeta se transformou em um deserto insalubre e desolado, conhecido como “A Terra Maldita.” Milhões de pessoas habitavam as escassas “Megacidades“, onde bandos errantes e selvagens urbanos geravam tamanha violência que o sistema judiciário não podia controlá-los. A lei como conhecemos entrou em colapso. Da decadência surgiu uma nova ordem, uma sociedade regida por uma nova força de elite da polícia, que atua como juiz, júri e executor; eles são conhecidos como “Os Juízes“. Juiz Joseph Dredd (Sylvester Stallone), o mais lendário dos juízes, é vítima de um plano que o incrimina como assassino e acaba banindo-o da cidade onde vive.

Cartaz/pôster de divulgação do filme.

O primeiro aspecto do longa que deve ser abordado é o elenco. Sylvester Stallone é o Dredd, e talvez este seja o ponto mais fraco do filme. Stallone (Sly para abreviação) encarnou uma versão de Joseph muito heroica, coisa que ele não é nas revistas. E um outro fator que acaba com toda a essência do personagem é a ausência do capacete 80% do tempo.

Nas décadas de 80 e 90, Stallone ainda estava no auge de sua carreira. Com isso, viver um personagem que nunca mostrou o rosto nos quadrinhos era algo impossível, já que o ator era ele. Ocultando sua face, Sly não receberia o destaque que gostaria de ter, e este filme nunca teria sido filmado. Assim sendo, em uma cena logo no início ele retira seu capacete, e passa todo o restante do longa sem utilizá-lo novamente.

A lista do elenco também conta com Armand Assante (Rico), Diane Lane (Juíza Hershey) e Rob Schneider (Herman Ferguson). Somando todo o elenco e os personagens vividos, o segundo ponto baixo do filme é o próprio roteiro: Rico é irmão de Joseph Dredd, já que ambos são clones do Juiz Fargo. Em dado momento, Rico acabou por se corromper, mesmo tendo sido treinado para ser um Juiz. Com isso, Dredd foi forçado a julgá-lo e prendê-lo. Porém, Rico acaba fugindo da prisão, e cria um plano para incriminar seu irmão, acusando-o de um assassinato que não cometeu. Assim, Rico pode afastá-lo do sistema de justiça, e assumir um cargo de comando, já que existem outros membros corruptos no mesmo.

A maneira que Rico utiliza para incriminar seu irmão é assassinar uma pessoa, enquanto utilizava uma roupa idêntica a de Dredd, e deixar uma amosta de seu DNA na bala. Como ambos são clones da mesma pessoa, o DNA seria o mesmo. E uma das críticas negativas que deve ser feita contra o filme é: se ambos foram clonados e possuem o mesmo DNA, por qual motivo eles são tão diferentes fisicamente? O roteiro possui diversas incongruências como essa, e o plot não funciona, mesmo sendo algo bem próximo dos quadrinhos – já que nas revistas o Rico realmente é irmão do Dredd, e também se corrompeu.

O mérito vai para os valores de produção. Visualmente, o filme é impecável, e por mais triste que seja admitir isso, chega a ser melhor/mais fiel que o de 2012. O uniforme dos juízes, Mega-City Um, os mutantes, veículos, e todos os detalhes visuais deste longa são muito próximos aos quadrinhos. Em uma cena, Rico reprograma um ABC Warrior (sim, um robô idêntico ao da série publicada na 2000 AD), descrito como robô utilizado na guerra, e usa o mesmo como sua arma. Este robô foi feito utilizando técnicas animatrônicas, e é um forte candidato a melhor ator do filme todo.

ABC Warrior reprogramado por Rico para ser seu guarda-costas.

A trilha sonora, composta por Alan Silvestri, também é ótima. O tema do filme, por mais heroico que possa parecer, é tão empolgante e se encaixa tão bem, que fica legal. Outro fator divertido é quando o próprio Dredd está sendo levado para a prisão, após ser condenado pelo assassinato que não cometeu (neste momento, ele acaba por se unir involuntariamente ao personagem vivido pelo Rob Schneider, que também é muito idiota), e acaba caindo na Terra Maldita após um ataque à nave de transporte de presos.

A família de mutantes canibais apresentada nesta sequência é a família Angel, também presente nos quadrinhos, e um dos membros dela é o Mean Machine (Máquina Malvada em português), que está visualmente idêntico aos quadrinhos neste longa.

Preso pela família Angel, Dredd quase serve como jantar para os canibais.

O ato final mostra Dredd voltando para Mega-City Um com o objetivo de provar sua inocência e julgar Rico mais uma vez. A Juíza Hershey (Diane Lane) serve como par romântico (outro ponto super negativo) e peça chave dentro da corporação para ajudar Joseph. Como todo filme B e clichê desta época, após a longa batalha contra o vilão e o mocinho vencendo, um beijo apaixonado deve ser mostrado para os telespectadores, a câmera se afasta, e o filme termina.

Apesar de falhar em diversos aspectos, a produção faz com que não seja um filme 100% intragável. Alguns momentos são tão galhofas que chegam a ser divertidos, e em meio a todo este mar de pontos negativos, o longa está mais para um filme mediano do que horrível.

Duração: 96 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos

Nota: 5,5/10

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Assista o fan filme do Juiz Minty, a mais perfeita adaptação do universo do Juiz Dredd.

Veja a lista de podcasts brasileiros que falaram sobre Dredd e 2000 AD clicando aqui.

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2 pensamentos sobre “[Review] O Juiz (1995)

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