[Review] Dredd (2012)

Após analisar a piada de 1995 (O Juiz) progatonizada por Sylvester Stallone, é chegada a hora de comentar “Dredd“, lançado em 2012, com Karl Urban no papel do principal, e dirigido por Pete Travis. [CONTÉM SPOILERS]

O antigo filme baseado no personagem não conseguiu passar a verdadeira essência e o tom das histórias em quadrinhos. Acertou no visual espalhafatoso, mas pecou em todo o resto. Ele deu um lucro pequeno, quase nada, mas pelo menos não ficou devendo. Já “Dredd“, de 2012, é o oposto do anterior em todos os aspectos.

Lançado no dia 20 de setembro nos Estados Unidos (e no dia 21 de setembro no Brasil), este filme mostra a encarnação perfeita do Juiz Dredd, e possui uma sinopse/roteiro muito simples:

“Na cidade violenta e futurista de Mega-City Um, a polícia tem autoridade para agir como juiz, júri e executor. O juiz Dredd, o mais temível deles, recebe uma missão: fazer um teste com uma juíza novata, a poderosa médium sensitiva Cassandra Anderson (Olivia Thirlby). No que seria apenas um dia de avaliação, os juízes aparentemente seguem para uma cena rotineira de crime, em um mega-bloco conhecido como Peach Trees, administrada pelo clã da Ma-Ma (Lena Headey), que fabrica a droga conhecida como Slo-Mo. Quando eles tentam prender um dos capangas da organização criminosa, Ma-Ma manda fechar o prédio de 200 andares e sai na captura dos juízes, que agora se encontram encurralados, numa luta implacável pela sobrevivência.”

Cartaz/pôster de divulgação do filme.

Apesar de simples, a história funciona muito bem. Por ser um filme independente e de baixo orçamento, a área fechada diminui os custos e gera uma tensão ainda maior do que se o cenário fosse aberto. Karl Urban (e todo o elenco, só para deixar claro) no papel principal está perfeito. Ele não tira seu capacete, é impiedoso e quase nada heroico, além de transmitir poucas emoções, atuando basicamente com a boca e a voz. Olivia Thirlby, que faz o papel da Juíza Anderson, personagem clássica dos quadrinhos, também ficou muito bem, servindo como a visão do público.

Todo o desenvolvimento flui de uma forma incrível e nada entediante, além de ser interessante e empolgar qualquer um. A censura é 18 anos, e com razão, afinal o filme é extremamente violento (física e mentalmente), com sangue sendo jorrado para todos os lados e de diversas maneiras diferentes.

A droga Slo-Mo, fabricada e distribuída pela Ma-Ma (outra personagem ótima, que gera um perigo real aos protagonista) funciona como uma ‘desculpa’ para a utilização do slow-motion, um dos mais belos já feitos para o cinema. Os vilões (todos capangas ou contratados da vilã principal) apresentam ameaças físicas, e a vida das pessoas que moram no mega-bloco não é ignorada.

Anderson e Dredd na área de fabricação da Slo-Mo.

No fator caracterização dos personagens e ambientação, Dredd é quase um quadrinho animado. Porém, este longa peca no visual, se comparado às revistas.

Enquanto o anterior tinha um visual retirado das páginas de uma 2000 AD, a nova adaptação peca neste sentido começando pelo uniforme dos juízes, mais ‘realistas’ e próximos da roupa utilizada pelas forças policias que nós conhecemos. Mega-City Um não é um show de luzes e carros voadores como nos quadrinhos ou no filme do Stallone, tornando tudo mais realista e menos maluco. Pode ser algo agradável por um lado, mas ruim por outro, já que os fãs do personagem gostariam de receber uma união das duas características: tom e visual.

Mas existe outro fator que agrada muito os fãs das HQ’s: uma série de easter eggs presentes do começo ao fim. Os ‘balofos‘, pichações do Chopper, prédios com o nome de artistas que já trabalharam no personagem (em uma cena logo no início), lojas de algumas histórias clássicas, uma miniatura do Juiz Morte, palavras como “Drokk“, menções aos mutantes deformados (além dos psíquicos, como a Anderson) e a utilização dos tiros especiais da Legisladora.

Mega-City Um, com diversos blocos (prédios) que possuem nomes de artistas.

O desfecho é perfeito e nada galhofado (como é o final horrível de O Juiz), e não existe um romance entre os dois protagonistas, mas sim um aspecto ‘professor e aluno‘. A aplicação da lei durante o longa é magistral até o último segundo, onde Ma-Ma é finalmente punida. Para adicionar mais mérito, este filme também mostra como alguns juízes são corruptos, assunto tratado algumas vezes nas HQ’s, e a trilha sonora serve para aumentar a empolgação.

Apesar de não ser uma transcrição perfeita do visual dos quadrinhos, o utilizado funciona para o universo cinematográfico criado. Ao contrário da anterior, esta adaptação é muito mais fiel ao personagem em todos os sentidos possíveis. Infelizmente, o filme custou US$ 50 milhões e faturou apenas 35, nem pagando seus gastos. Uma das explicações para isso foi o número limitadíssimo de salas para exibição, além da duração curtíssima em cartaz. Porém, os blu-rays e o DVD’s do filme venderam (e ainda vendem) muito, o que pode ter animado os produtores, mas nada é garantido.

Duração: 95 minutos
Classificação indicativa: 18 anos

Nota: 9,0/10

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Compre o DVD do filme no Submarino.

Assista o fan filme do Juiz Minty, a mais perfeita adaptação do universo do Juiz Dredd.

Veja a lista de podcasts brasileiros que falaram sobre Dredd e 2000 AD clicando aqui.

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  9. Esse filme é bom demais, o visual realmente mudou, mas eles pelo menos deram um jeito de colocar as ombreiras e o distintivo “adaptados” ao novo uniforme. Karl Urban está perfeito nesse papel. Houve até um abaixo-assinado para uma sequência, não sei no que deu. Tomara que ela venha.

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