Publicações da Mythos Editora

Após conferir em postagens semanais todas as informações das três editoras que publicaram a 2000 AD no Brasil antes da Juiz Dredd Megazine pela Mythos, é chegada a hora da finalização definitiva desta série, comentando sobre a que possui os direitos do material britânico atualmente, e está com diversas novidades programadas para os leitores.

Fundada por Dorival Vitor Lopes, Hélcio de Carvalho e Franco de Rosa em 1996, a Mythos é uma editora brasileira que iniciou suas atividades em 1997. Hélcio e Dorival vinham do antigo Estúdio Art & Comics, que prestava serviços para a Editora Abril, enquanto Franco vinha da editora Sampa. Em 98, por problemas pessoais, Franco decidiu sair da Mythos.

A editora ficou conhecida no Brasil como a casa do cowboy “Tex”, que teve início em 1999 e de lá para cá nunca parou nem teve sua numeração zerada. Tex deu tão certo em sua nova casa que logo a editora ampliou sua linha Bonelli, com títulos publicados até hoje.

Apesar do sucesso de Tex, a Mythos começou de uma forma humilde, publicando a versão brasileira da americana “Starlog“, revista de cinema fantástico, que não durou muito e foi cancelada. Além dos quadrinhos, a editora também publica revistas com temas como saúde e espiritismo. Também atua no Brasil como parceira da Panini Comics, produzindo revistas da DC, Dark Horse, Marvel e Top Cow, e a partir de 2013, da 2000 AD.

Porém, anos antes da Juiz Dredd Megazine ser lançada, a Mythos já publicou algum material relacionado à 2000 AD, mesmo não sendo da editora britânica propriamente dita. Em 1999, apenas dois anos após o início de suas atividades, foi lançada uma mini-série (encadernada no ano seguinte) em duas edições chamada Predador versus Juiz Dredd, licenciada pela Dark Horse e 2000 AD Books. As revistas foram publicadas entre março e abril de 99, somando 72 páginas no total. Já o encadernado lançado em 2000 possui 68 páginas.

O roteiro deste crossover foi escrito pelo criador do Dredd, John Wagner, e a arte ficou por conta de Enrique Alcatena (‘Quique’). Basicamente, assim como todo crossover, o objetivo deste é fazer dinheiro e promover uma porradaria épica entre os dois personagens badass.

Capa da primeira edição da mini-série, e do encadernado, respectivamente. Créditos ao Guia dos Quadrinhos pelas imagens e sinopses.

Dois anos após o combate épico entre o bom Juiz e o caçador alienígena ser lançado no Brasil, a Mythos encerrou a saga dos crossovers entre o Juiz Dredd e o Batman publicando Morra Sorrindo, uma mini-série em duas edições lançada entre fevereiro e março de 2002. Neste encontro, o Batman finalmente cumpre o que os juízes da divisão Psi previram, e vai para Mega-City Um evitar que a cidade seja destruída, em outra parceria com o Dredd.

Este foi o último crossover entre o Dredd e o Batman, e encerrou a “trilogia”. Vale lembrar que a Editora Abril começou a saga na década de 90, e publicou: Julgamento em Gotham, Vingança em Gotham e A Charada Definitiva (este não faz parte da cronologia), mas nunca a concluiu. O formato utilizado pela Mythos para o encerramento foi de revistas menores (formatinhos), com 52 páginas cada. O roteiro também foi escrito por Alan Grant e John Wagner, e a arte ficou por conta de Glenn Fabry, Jim Murray e Jason Brashill. Este mesmo encontro foi compilado no encadernado Batman – Viajante do Tempo, lançado em 2005, com 340 páginas reunindo diversos crossovers do Batman com personagens de outras linhas temporais.

Dividida em duas partes, Morra Sorrindo encerrou os crossovers do Juiz Dredd com o Batman publicados pela DC.

Em 2004, outra mini-série foi publicada seguindo o mesmo formato de 1999. Duas edições reunindo o Juiz Dredd e outro personagem clássico dos cinemas em uma batalha épica: Juiz Dredd versus Aliens. Este crossover também foi licenciado pela Dark Horse e 2000 AD Books, e o roteiro foi escrito por John Wagner e Andy Diggle. Já a arte fica por conta de Henry Flint. O nome original da história é Íncubos, e mostra a raça de alienígenas mortíferos se infiltrando em Mega-City Um.

Cada edição possui 50 páginas, e este encontro foi lançado nos Estados Unidos em 2003, somente um ano antes da revista brasileira. O formato da história é o mesmo utilizado com o Predador: inflitração, investigação, luta, finalização. Nenhum crossover faz parte da cronologia do Juiz Dredd, e foram feitos somente para diversão.

Mini-série licenciada pela Dark Horse, este foi o último encontro do Juiz Dredd com algum personagem lançado no Brasil.

Após a série de crossovers de qualidade mediana, o material da 2000 AD de fato estava caindo no esquecimento do público brasileiro. Somente a Editora Ebal publicou a 2000 AD, no ano de 1979, e a Pandora Books lançou arcos fechados de séries em formatos variados no início dos anos 2000.

Durante o lançamento do filme Dredd em 2012 (leia a crítica completa aqui), nenhuma editora manifestou interesse em lançar algum material da 2000 AD ou do personagem mais icônico da revista. Com isso, Pedro Bouça apresentou a ideia de lançar um mix com histórias e personagens da 2000 AD em formato magazine para a Mythos, que aceitou a ideia e iniciou o projeto que se tornaria a Juiz Dredd Megazine.

Apesar da primeira edição ter sido lançada quase um ano após a estreia do filme, a JDM reúne séries de diversas épocas desde o início da revista original em 1977, em 68 páginas de quadrinhos, sendo lançada mensalmente. A primeira edição saiu em maio de 2013, e a revista segue firme e forte até o momento, com a edição 12 programada para maio deste ano. O contrato atual vai até a edição 18, e a renovação provavelmente será feita, com material disponível até a edição 24.

Um Especial de Natal da JDM foi publicado em dezembro de 2013, reunindo histórias com tema natalino do Juiz Dredd e um Choque Futurista escrito por Alan Moore também dentro do tema.

Primeira edição da Juiz Dredd Megazine e seu especial de natal do ano de 2013.

Em outubro de 2013 o primeiro encadernado da 2000 AD pela Mythos após o início da JDM foi lançado: Juiz Dredd – Origens, arco feito para a comemoração de 30 anos do personagem e que mostra toda a criação dos juízes, em um formato de luxo com capa dura e 196 páginas. A distribuição foi feita para comic-shops e livrarias, e o preço não agradou todo o público.

Existem alguns especiais, encadernados, relançamentos e novidades programadas para este e o próximo ano, e você pode conferir todas as informações clicando aqui. O primeiro especial não-Dredd será A Lei de Canon, previsto para maio (em alguns dias deve ser lançado). Mais informações aqui.

Origens, por John Wagner, Carlos Ezquerra e Kev Walker.

O futuro da 2000 AD nas mãos da Mythos parece promissor, visto que os planos até para o próximo ano já estão sendo feitos. Todos os fãs esperam que, dessa vez, o material da mais incrível revista em quadrinhos britânica vingue no Brasil, já que outras editoras falharam ao tentar publicá-la.

Infelizmente, a Juiz Dredd Megazine ainda não é conhecida pelos brasileiros como deveria (e merece) ser, mas torcemos para que cada vez mais o público se interesse por séries diferenciadas, sem nenhuma ligação com os comics americanos saturados. Ao que parece, atualmente o sucesso é maior do que com as antigas editoras! E se você gosta da revista e quer acompanhar ela no futuro, não deixe de indicá-la aos seus amigos e conhecidos.

Ontem, dia 19/05, foi divulgada a lista oficial de indicados ao Troféu HQMIX, e a Mythos está concorrendo em quatro categorias, sendo que a Megazine está em uma delas. Confira aqui.

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Leia a primeira parte das Publicações pré-Mythos aqui!

Leia a segunda parte das Publicações pré-Mythos aqui!

Leia a terceira parte das Publicações pré-Mythos aqui!

Acesse o catálogo da Mythos Editora e boas compras.

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5 pensamentos sobre “Publicações da Mythos Editora

  1. Mais uma ótima postagem! E que me fez babar de vontade de comprar todas as revistas de uma vez (da Mythos e das editoras anteriores). Não posso pedir de presente de dia dos namorados, senão vou falir minha mulher (acabei pedindo o box do Estúdio Ghibli). Acho que vou fazer um empréstimo na Finasa com CPF falso. xD
    Ainda acredito que a assinatura seria a opção mais viável, uma vez que poderia ser anual ou semestral, concedendo descontos – desconto no valor total da assinatura, assim como descontos ao adquirir outros itens diretamente do site utilizando o cadastro de assinante, e/ou brindes enviados com a revista uma vez ao ano – fidelizando assim um número cada vez maior de fãs.
    Mas também é viável deixar acumular alguns números e comprar tudo com desconto sobre o valor total, com frete grátis.
    Enfim, espero que a Mythos dure anos e anos e anos publicando a JDM e outros títulos bacanas.

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    • Esta foi a última postagem desta série! Agora eu já falei de todas as editoras e revistas que saíram no Brasil. Se quiser fazer coleção do material brasileiro da 2000 AD, até em ordem de publicação, é só ler as postagens x)

      A parte de assinatura é complicada, visto que a Mythos nunca teve (nem mesmo para Tex). Depende da distribuidora, e não somente da Editora, e nem sempre agrada todo mundo (olha as assinaturas da Panini, que pessoas vivem recebendo suas revistas com quase 1 mês de atraso). Existem outras questões burocráticas que impedem este sistema, mas quem sabe no futuro?

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      • Sim sim, eu li todas (comentei algumas).
        Fiz uma lista cronológica para ir adquirindo os volumes antigos da 2000AD também (no entanto, acho que nunca vou conseguir as edições da Ebal, vi por aí que são extremamente raras, por serem muito antigas, portanto, são caras).
        Sobre a assinatura, isso é verdade… mas quem sabe no futuro isso não possa acontecer com qualidade para nós, fãs sedentos!

        Ah! Outra coisa: Parabéns pelo texto (reparei que o “tique” do mesmo sumiu!) ehehehhe
        Sua fluidez está ótima, acredito que, nesse ritmo de evolução, seus textos estarão à altura de grandes publicações em breve (se já não estiverem).

        Abraços!

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        • Tenho me esforçado para mudar o formato dos textos! Espero que estejam bons!

          E sim, as edições da Ebal são meio complicadas de encontrar… Assim como algumas coisas lançadas pela Pandora (D.R & Quinch, por exemplo).

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          • Seus textos estão cada vez melhores, sim. Por que além do conteúco altamente informativo que você traz acerca das publicações, muitas vezes tem um toque sutil de bom humor, e isso é muito bacana. Eu, pelo menos, estou gostando bastante.

            E sobre as revistas da Ebal, eu já tinha essa noção quando o pessoal do site Pipoca e Nanquim comentou do Dredd e O Alexandre Callari, que é editor e lançou até um livro de zumbis, o Apocalipse Zumbi – Os Primeiros Anos (Ed. Évora – 2011), bem interessante por sinal, e que tem coleções e coleções de quadrinhos, disse que não conseguiu encontrar todas as edições da Ebal com as histórias do Juiz. Quem sou eu pra conseguir? hehehe

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