[Review] Skizz – Contato Imediato

Escrita por Alan Moore e ilustrada por Jim Baikie, Skizz é uma versão de E.T. – O Extraterrestre feita com mais maturidade do que o filme, por utilizar diversos elementos adultos, além de fazer muitas críticas sociais à Inglaterra dos anos 80. [SEM SPOILERS GRAVES]

Publicado no Brasil pela extinta Pandora Books em outubro de 2003, o encadernado contendo 100 páginas chamado Skizz – Contato Imediato pode ser definido como uma das melhores histórias longas/séries escritas por Alan Moore para a 2000 AD. A sinopse:

“Após um acidente com sua nave espacial, o Intérprete Zhcchz, do Império Tau-Ceti, cai em um planeta primitivo e violento, habitado por estranhas criaturas… a Terra! Perseguido pelo governo inglês e por um paranoico agente alemão, o frágil visitante (apelidado de Skizz) poderá contar apenas com a ajuda de uma jovem estudante e dois desempregados para escapar e, com sorte, arrumar uma maneira de voltar para casa.”

Capa de Skizz – Contato Imediato, versão Pandora. Créditos ao Guia dos Quadrinhos.

Alan Moore se baseou muito no filme E.T. – O Extraterrestre para escrever esta série, publicada originalmente em 1983 (um ano após o estrondoso lançamento do filme). Alguns personagens até citam o nome do longa, já que a situação vivida é idêntica. De início, tudo é meio confuso, pois a arte de Jim Baikie (apesar de melhorar com o passar dos capítulos) não ajuda muito, mas a saga do Intérprete Zhcchz não demora 5 páginas para te conquistar.

As críticas sociais vão desde a violência ao desemprego, passando por severos cutucões nas autoridades e sistemas do governo, com menções honrosas aos punks da época. Outro fator interessante que pode ser levantado para questionamento é a maldade do homem. Desde as primeiras páginas o ser humano (ainda mais naquela época) é mostrado como um ser ruim (podre), que só se preocupa com seus benefícios e medos (o antagonista é um personagem forte que se encaixa nesta categoria).

Durante a leitura, os momentos mais emocionantes envolvem a mobilização das pessoas que querem ajudar o frágil alienígena, indo contra os responsáveis por boa parte do sofrimento vivido por esta criatura. Roxy, a estudante que teve o primeiro contato com Skizz e tenta ajudá-lo desde então, é uma personagem ótima, bem como os dois desempregados amigos dela (um deles inclusive está em choque desde que perdeu seu emprego).

A corrupção também é abordada, mas não no sentido ‘governamental’ da palavra, e esta abordagem serve como mais um momento muito emocionante. Uma das metáforas visuais é a armadura do alienígena, presente no início da história e que vai se perdendo conforme a exposição do personagem aos seres humanos aumenta, e ele se torna mais ‘terrestre’ e fraco.

Capa original inglesa de Skizz.

O tão divertido Humor de Moore pode ser localizado em diversas partes, de uma maneira leve e fácil de ser aplicada, visto que o protagonista é um personagem frágil e inocente. O final é clichê, mas não previsível, pois algumas situações no desenrolar da história tornam o encerramento da série um mistério.

Os poucos defeitos deste belíssimo trabalho podem ser resumidos em uma palavra: Pandora. O encadernado (bem largo e alto, fora dos padrões de outros encadernados lançados pela editora), além do preço de capa ser o absurdo de R$ 32,00, teve diversos problemas de revisão, com algumas letras cortadas e erros de português. A capa foi adaptada para a versão brasileira por Fabricio Novak, e apesar de ser levemente interessante, não é muito atrativa. Jim Baikie foi ignorado na chamada da capa e da lombada, que possuem somente o nome do Mago Inglês (objetivo: vender mais, sim ou claro?), e o artista merecia um ótimo destaque por apresentar uma arte que se adapta conforme o desenrolar da saga.

Skizz é o tipo de história que merece ter uma versão de luxo, com capa dura e um papel de boa qualidade, já que não pode ser definida como uma palavra inferior a excelente. Eu, que não sou um fã muito maluco dos trabalhos de Alan Moore, achei este encadernado quase perfeito, mesmo sendo um pouco controverso (algumas pessoas o consideram uma história fraca).

Nota: 9,5/10
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3 pensamentos sobre “[Review] Skizz – Contato Imediato

  1. Cara, curto muito esse trabalho, e o final emociona. Quanto ao lance de querer vender mais com o nome do Alan Moore, bem, mesmo assim não é desculpa para tirar o nome do Baikie da capa!
    E quanto ao preço… Infelizmente, não acho que a Mythos vá baratear muito o preço quando lançar por aqui…

    Curtido por 1 pessoa

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