[Review] A Lei de Canon

Finalmente tive o prazer de ler a edição especial lançada pela Mythos, chamada Juiz Dredd Apresenta: A Lei de Canon, o primeiro especial de um personagem/universo não-Dredd publicado pela editora. Confira abaixo quais foram as minhas impressões sobre esta publicação que conta com roteiros de Mark Millar e Kek-W, e a arte fenomenal de Chris Weston. [SEM SPOILERS GRAVES]

É realmente uma alegria ver que tanto material da 2000 AD esteja saindo por aqui. Temos uma revista mensal (Juiz Dredd Megazine), um encadernado já publicado (Juiz Dredd – Origens) e outros encadernados programados, e também temos especiais publicados e outros programados (o Especial de Natal do Juiz Dredd, e agora, A Lei de Canon se encaixam na primeira categoria), sendo tudo muito bem elogiado! Graças ao sucesso destas publicações e interesse do público que este blog foi criado, bem como o objetivo de divulgar estes quadrinhos excelentes (meus favoritos, devo dizer), e a edição única especial que será o foco neste review (o décimo do blog!!) já estava programada para sair há algum tempo, mas a distribuição dificultou um pouco meu acesso ao material.

Capa da revista especial. O formato é o mesmo da mensal.

A sinopse presente no catálogo da própria Mythos: “O Dia do Juízo Final chegou e Deus não apareceu. Os mortos ressuscitaram na Terra e o crime atingiu limites estratosféricos. Para enfrentar o desarranjo, a Igreja e a polícia se juntam e criam uma força implacável: a Patrulha Paroquial, liderada por Canon Law! Num cenário tão conturbado, os criminosos se tornam apenas pecadores a serem sumariamente eliminados. E é então que, em meio ao caos, Sherlock Holmes, Sigmund Freud, Albert Einstein, Júlio Verne e muitas outras mentes brilhantes se reúnem na tentativa de descobrir o que realmente aconteceu com o Criador. Uma edição simplesmente imperdível!”

Um fator que deve ser abordado inicialmente é o grande chamariz desta edição: Mark Millar. Millar é um autor controverso, que muitos odeiam, mas muitos amam. Sua carreira na 2000 AD foi tão controversa quanto sua fama, e ele foi responsável por uma piores fases do Juiz Dredd. Vale lembrar que ele trabalhou na revista britânica no início de sua carreira.

A ideia de publicar material escrito pelo Millar por aqui é movida por um objetivo: vendas. Querendo ou não, este roteirista que possui muitas coisas ruins escritas em sua carreira vende muito bem. E, por sorte, esta revista é uma das coisas boas (melhores, talvez?) escritas por ele!

Ela é dividida em duas partes: a primeira, escrita por Millar, e a segunda, escrita por Kek-W (pseudônimo do escritor e músico Nigel Long). Ambas as partes foram desenhadas por Chris Weston (que os leitores já conhecem de algumas histórias que saíram na Juiz Dredd Megazine). A primeira parte é muito inferior à segunda, mas também possui uma série de méritos: um plot interessante, apresenta os personagens de uma forma muito convincente, e estabelece todo o universo maluco desta série.

Apesar dos conceitos interessantes, esta primeira parte é recheada de cenas e ideias chocantes e exageradas (padrão do Millar até hoje), e também um humor bem estranho (eu acho divertido). A arte de Weston é sempre sensacional, com referências ao surrealismo, e não deve ser criticada neste momento. O desfecho do arco é legal, e o desenvolvimento é melhor ainda. As gags visuais também são fantásticas, e a presença de personagens que marcaram a história da humanidade é algo genial (eu realmente gostei disso).

A narração é feita pelo Diário do Porgutário do Dr. Watson.

Já a segunda parte é muito mais interessante. Ela dá continuidade direta à primeira, humaniza o protagonista (ele é basicamente um Juiz Dredd ‘versão padre‘, tanto na personalidade quanto no que faz), e o mais importante: aborda os fatores do passado, não somente deste universo mas também do protagonista (que foram somente mencionados no roteiro de Millar).

arte nesta segunda parte me pareceu um pouco inferior. Apesar do tempo que se passou entre a publicação da primeira e da segunda parte, os desenhos de Weston parecem mais simples e limpos do que antes. Continuam ótimos, mas um pouco diferentes.

O clima é mais pulp e muito steampunk, e Kek-W usa e abusa da ideia de “pessoas que marcaram a história da humanidade voltaram à vida“, o que torna a leitura muito divertida e atraente. O desfecho também é muito legal, e planta sementes para uma continuação (que nunca foi feita, infelizmente), mas também funciona como um final fechado que se conecta diretamente aos acontecimentos da parte anterior.

Os detalhes da arte de Weston são incríveis.

Esta revista também conta com uma introdução escrita por Helcio de Carvalho, o editor da Mythos, e um pôster frente-verso no meio dela, que você pode tirar somente abrindo os grampos e depois fechar tranquilamente. Infelizmente, o fator triste fica por conta da ausência de um Choque Futurista que havia sido prometido, uma paródia do Lanterna Verde desenhada por Weston. Talvez este seja publicado em alguma das revistas mensais, mas provavelmente em nenhuma das edições até o número 24.

Enfim, A Lei de Canon é um especial muito bom, lançado em um formato legal (100 páginas e formato magazine), por um preço muito camarada (R$ 16,40). Se as publicações da 2000 AD continuarem vingando por aqui, este formato provavelmente será utilizado em todos os especiais (como o provável especial America, do Juiz Dredd), e a distribuição em bancas também é um fator muito positivo, pois facilita o acesso aos leitores. Ponto positivo para a Mythos!

O próximo especial que será lançado é o Especial Democracia do Juiz Dredd (durante o horário eleitoral), e este ano é provável que tenhamos outro Especial de Natal do Juiz Dredd (com Matança Esperança). Conforme as novidades forem saindo, não deixe de visitar o blog para acompanhar tudo detalhadamente! Este mês ainda teremos o review da Megazine 13 (que deve ser lançada em breve, visto que o preview já foi liberado), e um review de outra publicação da extinta Pandora!

Nota: 8,0/10

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E você? O que achou deste especial? Expresse sua opinião nos comentários!

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8 pensamentos sobre “[Review] A Lei de Canon

  1. Pingback: [Review] Juiz Dredd Megazine Especial – Democracia | 2000 AD Brasil

  2. Pingback: [Review] Juiz Dredd Megazine 13 | 2000 AD Brasil

  3. E a minha lista de compras pelo site da Mythos só aumenta… já está em 330 reais! Tô juntando tesouro pra conseguir pagar a vista e conseguir desconto haeuheauhe

    Cara, mais um ótimo review, sem spoilers (nem graves nem simples, somente análises mais técnicas e histórico-cultural da publicação).
    E finalmente uma publicação especial (com exceção do Especial de Natal) num preço extremamente acessível!
    Adicionada sem medo na lista de compras =p

    Curtido por 1 pessoa

    • Caraca, haja grana! hauhuahuaa

      Obrigado pelos elogios!
      Sim, o preço está muito acessível. Levando em consideração o formato, qualidade do papel, qualidade da história e número de páginas, tá barato mesmo. Eu realmente gostei bastante!

      Pode comprar sem medo (deve estar nas bancas também, viu).

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    • Obrigado!

      Pois é, também achei uma pena. O Pedro Bouça deu uma explicação legal no fórum Miolos sobre o motivo de não ter mais histórias lá fora:
      “Na verdade, houve uma combinação de fatores. Quando começou a ser excluído da 2000 AD (duas séries dele (Millar) foram passadas para outros autores, Canon inclusa), ele veio com essa conversa de que era dono das séries (a escritora Hillary Robinson já havia tido uma briga similar com a 2000 AD antes e venceu, daí esse assanhamento do Millar e depois do Morrison, mas ela TINHA criado as suas séries em livros antes de publicar versões em quadrinhos na revista…).

      Mas a 2000 AD teria continuado Canon assim mesmo, só que o escritor substituto, Kek-W, ficou seriamente doente e parou de escrever por dez anos (!). Ele voltou mais tarde, mas aí já tinha passado muito tempo e o Chris Weston já trabalhava majoritariamente pros EUA. Nessa situação, mais vale criar outra série…”

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