[Review] Juiz Dredd Megazine Especial – Democracia

Comentando uma publicação de setembro no final do mês de outubro? Sim! Problemas com a distribuição impediram que este review fosse escrito antes, mas como diz o ditado: o 2000 AD Brasil tarda mas não falha. Confira abaixo todas as impressões sobre o especial Democracia da Juiz Dredd Megazine! [SEM SPOILERS]

Antes de mais nada: sim, esta revista atrasou um pouco. A previsão era de lançamento no mês de setembro, e saiu somente no começo de outubro. E o review está sendo feito somente agora, no final de outubro, pois demorou ainda mais para que eu a adquirisse. Enfim, não tivemos uma edição mensal em setembro para que este especial fosse publicado, bem como ocorreu com o Especial de Natal do ano passado e A Lei de Canon este ano, então esta é uma edição única, e se você deseja começar a ler Juiz Dredd, é o ponto de partida ideal!

Uma capa incrível com a ilustração de Simon Davis, da edição 994 da 2000 AD, que ilustra muito bem o tom das histórias presentes neste especial.

Antes de analisarmos as histórias propriamente ditas, devemos nos atentar aos fatores técnicos, como de costume. Este especial não tem uma numeração, e possui 84 páginas, custando R$16,40. O editorial escrito pelo Editor-Chefe Helcio de Carvalho está no verso da capa, e explica as diversas características desta publicação.

Uma matéria chamada “Os bastidores da luta pela democracia“, escrita pelo Editor-Assistente e tradutor Pedro Bouça, foi inserida no meio da revista para situar os leitores sobre o salto temporal das histórias escolhidas para compor o mix, mas isto será comentado logo abaixo neste review. Vale ressaltar que este especial possui somente histórias do Juiz Dredd.

Sem maiores enrolações, acompanhe abaixo a luta pela democracia em Mega-City Um:

Clássicos do Juiz Dredd – Carta de uma democrata
Roteiro: T.B. Grover (pseudônimo da dupla John Wagner e Alan Grant)
Arte: John Higgins
Publicada na edição 460 da 2000 AD (1986)
Abrindo a edição nos deparamos com uma história tensa e trágica. Uma história curta, de apenas 7 páginas, que com o roteiro de Wagner e Grant, somado à incrível arte de John Higgins, nos dá uma pitada do que se tratam as histórias desta revista: opressão, medo, e luta. Esta história inicial é a base para todo o arco seguinte (de três partes), visto que apresenta alguns personagens e ideais que estarão marcando ponto nas próximas páginas. Esta história (e as do arco seguinte) nos mostra um lado muito mais fascista dos juízes, algo mais agressivo e opressor do que o habitual das histórias publicadas na Megazine todo mês. Se você esperava histórias mais cômicas, saiba que esta não é uma revista deste tipo.
Nota: 9

Clássicos do Juiz Dredd – Revolução (Partes 1, 2 e 3)
Roteiro: John Wagner e Alan Grant
Arte: John Higgins
Publicado nas edições 531, 532 e 533 da 2000 AD (1987)
Seguindo a história anterior, temos um arco em três partes que encerra este momento específico. Nesta parte, a equipe criativa é a mesma, e vemos os acontecimentos anteriores refletirem diretamente no decorrer deste arco. Aqui temos um movimento pró-democracia organizado pacificamente por uma parcela dos cidadãos de Mega-City Um, e os juízes atuando como opressores, orquestrando fatos e acontecimentos que podem acabar com este movimento. Este arco possui pouca ação, e é composto por muitos diálogos, o que faz sentido, visto o tema tratado. Apesar de possuir um encerramento, o que estas histórias deixam em aberto só será resolvido definitivamente nas próximas páginas. Vale mencionar aqui (sem spoilers) a presença constante do Juiz Chefe Silver, o mais linha dura dos Juízes Chefes até hoje. Logo, é aceitável que a atitude dos juízes neste momento histórico seja mais implacável.
Nota: 9

Clássicos do Juiz Dredd – O mal que você conhece (Partes 1, 2, 3 e 4)
Roteiro: John Wagner
Arte: Jeff Anderson
Publicado nas edições 750, 751, 752 e 753 da 2000 AD (1991)
Um salto temporal. Quatro anos de publicação se passaram entre o arco anterior e este. Mas não pense que você ficará perdido: a matéria desta revista serve para situar o leitor, e explicar que caso toda a subtrama Democracia fosse publicada, seria necessário uma quantidade absurda de páginas. Logo, muita coisa rolou durante estes quatro anos de publicação, mas tudo está explicado em duas páginas de textos. Sendo assim, agora temos um arco escrito por John Wagner e ilustrado magistralmente por Jeff Anderson, que nos apresenta um Dredd mais humano do que antes. Um Dredd que abriu um plebiscito para que os cidadãos escolham através de uma votação: governo dos Juízes, ou o sistema judiciário e governamental antigo? O movimento democrático apresentado na história anterior continua, e aqui temos outro lado explorado: o medo de alguns juízes, o medo de perder o poder. Este arco em particular possui mais cenas de ação e é mais bem humorado, e o resultado da votação fica aberto para que outro roteirista o encerre…
Nota: 10

Clássicos do Juiz Dredd – O último brilho do crepúsculo (Partes 1, 2 e 3)
Roteiro: Garth Ennis
Arte: John Burns
Publicado nas edições 754, 755 e 756 da 2000 AD (1991)
O encerramento definitivo deste arco. Literalmente, o final da subtrama Democracia. E quem ficou a cargo de tamanha responsabilidade é um roteirista que estava começando a escrever o Juiz Dredd e seria responsável pelos próximos anos do personagem: Garth Ennis. O artista também mudou, e agora temos a ótima arte de John Burns. Este arco em três partes, continuação direta do anterior, é composto por muita narração, visto que a tensão aqui é: qual será a escolha dos cidadãos de Mega-City Um? As atitudes do protagonista aqui beiram o herói, e a revolta da população é tratada de forma diferente e mais pacífica do que nunca. A frase “cada povo tem o governo que merece“, do Conde Joseph de Maistre, é a grande questão deste encerramento: Mega-City Um deve ou não ser governada pelos Sistema de Juízes? O povo está satisfeito? E para saber qual a conclusão, recomendo que compre este especial o quanto antes.
Nota: 10

Finalizando, alguns comentários extras: alguns erros de revisão passaram despercebidos, o que é comum em toda publicação. Esta edição possui propagandas de algumas publicações de Mythos, entre elas: Tolkien pelos lendários Irmãos Hildebrandt, O Último Fantasma, Cripta: Os clássicos do horror da Revista Eerie Volume 3 e Frankenstein. Na contracapa, temos a divulgação (pela primeira vez em uma revista), do novo encadernado do Juiz Dredd: Mandroide, que já está em pré-venda no catálogo da Mythos e na LigaHQ!

E por fim, o preview da Juiz Dredd Megazine 16 é o mesmo da edição anterior:  “O Juiz Dredd investiga a execução de um traidor de Mega-City durante a Guerra do Apocalipse. E mais: um misterioso inimigo quer usar Vienna para chegar até Dredd! Leia também: até quando o malandro Nikolai Dante vai ficar trombando com os Arbatovs? Evenenado, Sláine luta pela vida. E ainda: Choques Futuristas!

Duas capas: a edição 16 da Juiz Dredd Megazine, de outubro, e o novo encadernado do Juiz Dredd, chamado Mandroide.

Nota final: 9,5/10

Ficou interessado? Compre o Especial Democracia no catálogo da Mythos Editora clicando aqui! E você pode encontrá-lo nas bancas por todo o Brasil!

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12 pensamentos sobre “[Review] Juiz Dredd Megazine Especial – Democracia

  1. Pingback: Juiz Dredd: Sistema Judicial vs. Democracia (parte 2) | Superjurídico

  2. Pingback: Juiz Dredd: origens do Sistema Judicial (parte 1) | Superjurídico

  3. Estive atrasado nas leituras, essa edição é espetacular. O salto temporal é compreensível em termos editoriais. Achei os roteiros do Wagner/Grant (esse último que eu gosto bastante) bem melhores que os do Ennis. E a arte do Jeff Anderson é muito legal, ele aparece em outras edições do Dredd? Essa edição teve uns errinhos bem nítidos, não lembro de outra edição assim. Mas não atrapalha o resultado geral. 10!

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      • Só vi essa mensagem agora, sorry!

        Jeff Anderson fez muito pouca coisa na 2000 AD. Vários Choques Futuristas (muitos deles de um período cujo material não está disponível em formato digital na Rebellion) e um punhado de histórias do Dredd. Ele abandonou a revista pouco depois da saga Democracia, há mais de 20 anos, e só voltou uma vez em um especial no ano passado, escrevendo um Conto de Terror de Tharg.

        Infelizmente isso é bem comum com autores desse período do início dos anos 90. A 2000 AD teve uma queda de vendas brutal devido ao infeliz filme do Stallone (sim, filmes ruins PODEM prejudicar o material original!) e muitos dos desenhistas (e argumentistas) acabaram indo para outras atividades quando o pagamento diminuiu.

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  4. Gostei bastante do especial, principalmente das primeiras histórias em p&b. Só ficou aquela sensação de que muita coisa da saga foi pulada, mas entendo os motivos.

    Hunter, queria saber se a editora pretende publicar “America”, que é uma história importantíssima desse arco democracia, além de ser considerada uma das melhores do Dredd de todos os tempos ?

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  5. Há dois motivos, o primeiro é de questão prática. A mudança de opinião do Dredd rola durante a saga Necrópolis (que não tem a ver com a trama da Democracia), uma das maiores da série que iria requerer umas 600 páginas para ser publicada de maneira satisfatória. Impraticável!

    A segunda é uma questão editorial. Necrópolis foi o culminar da primeira década de publicação do personagem. Publicá-la sem que os leitores tivessem lido todo esse material (mais de 13 anos de histórias!) tiraria boa parte do impacto dessa história e a reduziria a um simples embate do Dredd contra os Juízes Negros. Um desserviço à obra, na minha opinião! Ela está reservada para quando houver mercado para uma série de republicações do Dredd.

    Para compensar isso, a saga que culminou as tramas das décadas SEGUINTES de publicação do Dredd, Day of Chaos, será publicada se a revista durar até lá. Todo o meu plano superambicioso (e pouco realista…) de publicação da Dredd Megazine nos próximos dez anos está levando em conta a eventual publicação dessa trama. Se o título durar até lá, vocês a verão em toda a sua glória!

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  6. Nem demorou tanto para chegar aqui depois que saiu em SP. Apesar de ter gostado bastante da revista, achei que ficou faltando colocar as historias que mostram a mudança de pensamento Dredd, e que levam ele até a situação apresentada no meio desse especial (no caso, as edições que são comentadas no artigo, no meio da revista), mais não tira os méritos dessa edição, que é muito boa mesmo.

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    • Opa. Pois é, aqui não chegou até agora (moro no Litoral Norte de São Paulo). Acho que seria meio impossível a publicação do material que mostra essa mudança no pensamento do Dredd. Pelo que sei, Necrópolis é praticamente impossível de ser publicado atualmente, por exemplo, e é peça chave para estas mudanças. O Pedro Bouça poderia responder melhor.

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